Liderança
O que um CTO fracionado faz nas primeiras 12 semanas
Cristian Medeiros9 min de leitura
Quando uma empresa decide trazer um CTO fracionado, a pergunta seguinte é prática: o que ele faz a partir do primeiro dia? Eu trabalho com ciclos de 12 semanas. As 4 primeiras servem para consolidar o que o diagnóstico levantou; as seguintes, para construir um resultado medido com métricas combinadas no início.
O Marcelo Pedreira escreveu sobre a pergunta que vem antes da vaga em Contratar um CTO ou ter um CTO fracionado?. Aqui eu conto o que vem depois do "sim", etapa por etapa.
Por que um ciclo de 12 semanas?
Porque um intervalo menor limita muito a atuação e o impacto que dá para gerar. Em 12 semanas é possível detalhar o diagnóstico inicial e avançar na organização do trabalho de forma consistente.
As 4 primeiras semanas são de consolidação: confirmar com as pessoas o que o diagnóstico encontrou e transformar isso em prioridades. Da quinta em diante, o foco é o resultado combinado.
O que acontece antes do primeiro dia?
Antes do contrato vem o diagnóstico, e antes do diagnóstico vem um NDA assinado. O NDA dá liberdade para quem faz o diagnóstico explorar sistemas, código, processos e conhecer as pessoas, dentro dos limites combinados.
Depois do contrato, o ideal é que estejam prontos:
- os acessos liberados;
- a lista de pessoas para conhecer;
- a documentação do sistema, se existir (em geral ela já foi lida no diagnóstico);
- alguém para explicar o processo de desenvolvimento de software e os demais processos que afetam o resultado da empresa.
O que o CEO recebe no fim do diagnóstico?
Um documento detalhado com o que foi encontrado e recomendações de como seguir. Às vezes a recomendação é não fazer nada. É raro, mas acontece.
Esse material é apresentado numa reunião, em que explico a abordagem usada e entro no detalhe de cada item. Mais do que mostrar trabalho, o objetivo é trazer clareza sobre o momento: tirar dúvidas, explicar as situações e os riscos que estão acontecendo, e propor uma ou duas ideias para mitigá-los ou resolvê-los.
Na mesma reunião, apresentamos composições da Tessa que fariam sentido para o que foi encontrado. Talvez um Tech Advisor seja suficiente. Talvez um squad multidisciplinar fracionado. Talvez os dois, ou nenhum, dependendo do momento da empresa. O importante é ninguém sair da reunião com dúvida sobre os achados.
Atualmente, a Tessa faz esse diagnóstico de forma gratuita. Ele é parte do nosso processo de entender a situação e o problema antes de indicar qualquer solução ou formato de trabalho.
Com quem o CTO fracionado conversa nas primeiras semanas?
Primeiro, com as pessoas envolvidas no diagnóstico. Se a dor é de negócio, o stakeholder que responde por ela é a pessoa-chave para aprofundar os pontos mapeados e traçar os primeiros resultados em conjunto. Se a dor é técnica, a conversa é com a liderança de tecnologia: o que já foi feito para tratar a situação, que resultados vieram e por que não foram satisfatórios. Isso já mostra de onde partir.
Quando o time não tem liderança técnica, ou não tem pessoas técnicas, o aprofundamento vai para o comportamento dos sistemas: logs, métricas de serviço, métricas do banco de dados, tudo o que puder ser uma pista para o que o diagnóstico levantou.
Depois vem o contato com o restante do time e da estrutura de negócio. Nesse momento explico que a atuação fracionada é como a de qualquer funcionário, só que com menos horas, ou em alguns dias da semana.
Como o CTO fracionado escolhe as primeiras mudanças?
Pelas que geram mais resultado para o negócio.
Num dos casos, a plataforma simplesmente não funcionava. A empresa não tinha liderança técnica estabelecida, e o time não sabia o que tinha acontecido. O que se ouvia era: "o sistema não funciona, não conseguimos trabalhar". Isso tinha aparecido no diagnóstico. Como a empresa tinha desenvolvedores internos, seguimos só com um Tech Advisor para direcionar as ações. Fizemos uma sessão de aprofundamento do problema e, em duas semanas, o sistema estava restabelecido e atendendo o time de forma consistente. As evoluções do produto vieram depois disso.
O que o CTO fracionado evita fazer, mesmo quando o CEO pede?
Trocar o foco sem dados. Eu sigo o que foi mapeado no diagnóstico e confirmado na primeira semana de trabalho, porque esse levantamento foi feito para gerar impacto no resultado da empresa.
A situação pode mudar, claro. Mas, para trocar o que o diagnóstico levantou por algo que o CEO está trazendo, preciso de dados que mostrem que a nova situação gera mais impacto. Se mostrarem, mudamos. Como qualquer outro membro da equipe, o CTO fracionado está ali para gerar resultado; não adianta ficar preso a um escopo de menor impacto.
Como trabalhar com o tech lead sem passar por cima dele?
Com muita parceria. Nenhum trabalho da Tessa começa sem uma conexão direta com essa pessoa, já na fase de diagnóstico.
Às vezes as áreas de negócio reclamam que o sistema está lento, e a liderança de tecnologia diz que não tem orçamento para investir. Sem entender a dor de quem está na trincheira, no dia a dia do time e do sistema, o CTO fracionado criaria atrito no lugar de resultado.
Muita liderança fica apreensiva com a chegada de um CTO fracionado, com medo de perder o lugar. Mas, quando a liderança já está estabelecida, é comum que a atuação do CTO fracionado seja mais focada: um cenário de regulação, uma certificação, uma mudança de comportamento como a adoção de IA, ou uma implementação específica, como uma estratégia de observabilidade em sistemas distribuídos. Nesses cenários, o conhecimento de quem já passou por aquilo faz muita diferença, e algumas horas por semana de um profissional assim, sem pagar pela cadeira inteira, destravam muita coisa.
Como é a rotina com o CEO?
Nas primeiras 4 semanas, sugiro dois encontros por semana, para o CEO e o CTO fracionado entrarem em sintonia. É a fase de levantamento, consolidação e confirmação.
Com o levantamento pronto, é hora de definir o resultado que será gerado e como ele será medido. A partir daí, os encontros podem ficar mais espaçados, um por semana ou a cada 15 dias, para apresentar o resultado em construção com as métricas combinadas.
Depois de alguma evolução, é normal o escopo mudar, como acontece com um profissional em tempo integral: surgem novos aprendizados, o mercado se movimenta e os resultados precisam acompanhar.
Como o CEO sabe que está funcionando?
Pelas métricas definidas no início do trabalho. Sem elas, é muito difícil demonstrar o impacto no negócio.
Boa parte dessas métricas já existe dentro da empresa, algumas atualizadas, outras abandonadas. É comum a empresa já saber medir o próprio sucesso. Além das métricas, levo uma descrição em alto nível do trabalho feito, explicando em termos não técnicos o que cada entrega gera de evolução.
O ciclo de 12 semanas, etapa por etapa
Etapa | O que acontece | Rotina com o CEO | O que sai |
|---|---|---|---|
Antes do contrato | NDA e diagnóstico: sistemas, código, processos e pessoas | Reunião de apresentação do diagnóstico | Documento com achados, riscos, recomendações e composições possíveis |
Semanas 1 a 4 | Conversas com quem participou do diagnóstico; logs e métricas quando falta liderança técnica; apresentação ao time | Dois encontros por semana | Prioridades confirmadas; resultado e métricas combinados |
Semanas 5 a 12 | Execução com o time, começando pelas mudanças de maior impacto | Um encontro por semana ou a cada 15 dias | Resultado medido pelas métricas combinadas, com resumo em linguagem de negócio |
Fim do ciclo | Revisão do caminho | Conversa de decisão | Continuar, aumentar ou reduzir as horas, ou contratar um CTO em tempo integral |
O que acontece no fim das 12 semanas?
Já vi todos os caminhos acontecerem.
Antes da Tessa, atuei como CTO fracionado numa empresa, para ver se o modelo funcionava para mim e aprender como ele funciona. A conclusão daquele trabalho foi recomendar a contratação de um CTO em tempo integral, e eu ajudei a selecionar a pessoa.
Aumentar as horas também acontece, em geral quando as dores iniciais foram superadas e a construção dos resultados pede mais cadência e dedicação.
E já vi reduzir as horas. Isso acontece quando parte da atuação do CTO fracionado passa para outro papel, que pode ser outra pessoa fracionada ou um squad fracionado. Nesses casos, o CTO fracionado sobe para uma camada mais estratégica: modela os resultados e as métricas e faz a interface com as outras áreas de negócio.
O que levo de Olist, iFood e Clicksign para esse começo?
Cada uma dessas empresas estava num momento diferente, com complexidades diferentes. Entender o momento, aprender o contexto e me adaptar ao que ele pedia foi um grande aprendizado que carrego e coloco em prática em cada começo de ciclo.
Perguntas frequentes
O que faz um CTO fracionado?
Conduz as decisões de tecnologia e o time algumas horas por semana, sem ser contratado em tempo integral: consolida o diagnóstico, define com o CEO o resultado e as métricas e participa da execução com o time. Também é chamado de CTO part-time ou fractional CTO.
Quanto tempo dura um ciclo de CTO fracionado?
Eu trabalho com ciclos de 12 semanas: 4 de consolidação do diagnóstico e as demais de construção do resultado. No fim, revisamos o caminho.
Quantas horas por semana um CTO fracionado trabalha?
A partir de 4 horas por semana, em torno de 16 horas por mês. Depois do diagnóstico, a dedicação costuma ficar entre 16 e 20 horas por mês, ajustada à demanda.
O que a empresa precisa preparar antes de começar?
Um NDA para o diagnóstico e, depois do contrato, acessos liberados, a lista de pessoas para conhecer, a documentação que existir e alguém para explicar os processos.
O diagnóstico tem custo?
Atualmente, não: a Tessa faz o diagnóstico de forma gratuita, com um NDA assinado antes, para entender a situação antes de indicar qualquer formato de trabalho.
O CTO fracionado substitui o tech lead?
Não. O trabalho começa em parceria com a liderança que já existe e, quando ela está estabelecida, a atuação do CTO fracionado costuma ser focada num tema: regulação, certificação, adoção de IA ou observabilidade, por exemplo.
Se for para guardar uma frase
Do que aprendi até agora na Tessa, seja com um CTO fracionado ou com um time todo fracionado: quando você não paga pelo tamanho do time, mas pela habilidade de que precisa, esse modelo cabe em qualquer tamanho de empresa e consegue destravar muita coisa.
Se você vai trazer um CTO fracionado, comece pelo diagnóstico, que atualmente fazemos de forma gratuita. Veja como funciona o modelo Fractional da Tessa ou use a matriz de diagnóstico para identificar qual capacidade está faltando.

“Entender a vaga não basta. O que buscamos compreender é o problema por trás dela, e qual capacidade, em qual formato, realmente o resolve. Por isso ficamos próximos depois do início: acompanhamos a adaptação, conversamos com a empresa e com o profissional, e ajustamos o que for preciso. É apoio de ponta a ponta.”
Vamos conversar?
Qual decisão, projeto ou posição está travando o próximo ciclo da sua empresa?
Trinta minutos sobre o problema costumam bastar para saber qual capacidade está faltando.
